Atendimento

O camucamuzeiro, Myrciaria dubia (H.B.K) McVaugh, espécie da família Myrtaceae, foi descrito pela primeira vez em 1823 por Humboldt, Bompland e Kunth, como Psidium dubium H.B.K. Em 1963, Rogers McVaugh transferiu essa espécie para o gênero Myrciaria, passando então a chamar-se Myrciaria dubia (H.B.K.) McVaugh. No Brasil, o camucamu é conhecido como: caçari, araçá dágua ou sarão.

Originária da Região Amazônica, a planta caracteriza-se pelo porte arbustivo, ocorrendo naturalmente às margens de lagos e rios. Sua distribuição geográfica estende-se deste a região central do Estado do Pará, passando pelo médio e alto Rio Amazonas até a parte ocidental do Peru e extremo setentrião brasileiro, no Estado de Roraima e através do Rio Casiquiare, e grande parte da alta e média Bacia do Orinoco. Ao sul, no Estado de Rondônia ocorrem às margens dos Rios Ji-Paraná e Candeias. O primeiro registro de ocorrência do camucamuzeiro no Brasil data de 1902, quando das expedições do botânico A. Ducke à Amazônia Brasileira.

Atualmente o camucamuzeiro vem despertando grande interesse à fruticultura, devido o seu potencial elevado para produzir frutos com alto teor de ácido ascórbico (vitamina C), quantidades estas que podem variar de 2.400 a 3.000 mg/100g de mesocarpo e a até 5.000 mg/100g de casca. A exploração é efetuada em populações naturais distribuídas em rios amazônicos, cujas produções podem variar de 3 a 25 quilos de frutos frescos por planta. A polpa pode ser encontrada em países como Japão, França e Estados Unidos, nas formas liofilizadas e congeladas, para uso na agroindústria e indústria farmacêutica, bem como transformadas nas formas de dropes e tabletes de vitamina C.


Morfologia da espécie:

O sistema radicular é do tipo cônico, formado por uma raiz principal que alcança 0,50 m no sentido longitudinal, com raízes secundárias distribuídas horizontalmente em um raio que varia, proporcionalmente, ao diâmetro da sombra da copa da planta.

O tronco, formado por um caule principal e varias ramificações laterais, glabros, podendo alcançar alturas de até 4 m na idade de 20 anos. Alguns ecótipos apresentam-se como policaúlicos, isto é, com várias ramificações desde a base, formando caules secundários, enquanto que outros são monocaúlicos. Sua consistência é dura porém flexível, daí a necessidade de se tutorar as plantas, quando estas estão carregadas de frutos, para evitar a ruptura ou quebra dos caules, por excesso de peso (frutos). As folhas são simples e opostas, de forma ovalada, elípticas ou lanceoladas, medindo, em média, 4 cm de comprimento por 2,5 cm de largura. O ápice é acuminado com base arredondada e bordas ligeiramente onduladas. O pecíolo mede, em média, 5 cm a 6 cm de comprimento por 1 mm a 2 mm de diâmetro e as plantas que apresentam de três a sete perfilhamentos contêm, em média, 170 folhas. As flores podem se apresentar individualmente ou na forma de inflorescência, encontrada nas axilas das folhas em toda a extensão dos ramos superiores.

A inflorescência é formada por flores hermafroditas, em número que varia de 1 a 5, pedunculadas; com cálice globoso ou subgloboso, glabro contendo quatro lóbulos ovalados; corola de quatro pétalas glandulosas, que se alternam com as sépalas ungüiculadas, ovaladas, com ápices acuminados e obtusos. As pétalas são geralmente brancas, com estiletes de 10 mm de comprimentos, com 125 estames medindo de 7 mm a 10 mm de comprimento, anteras de 0,5 mm a 0,7 mm de comprimento. A antese ocorre pela manhã, permanecendo até às 10 horas. Os frutos são do tipo baga esférica de superfície lisa e brilhante, coloração variando de vermelha a arroxeada, podendo, ter de 2 cm a 4 cm de diâmetro, e uma a quatro sementes aplainadas e cobertas por uma lâmina com fibrilas brancas.

A porção comestível tem rendimento médio de 60% do fruto, 8,5 graus Brix, pH entre 2.9 a 3.1 e ácido ascórbico (vitamina C), variando de 2.400 a 3.000 mg/100g de mesocarpo. As sementes são reniformes, medindo, em média, 1,2 cm de largura por 8 mm de diâmetro, pesam, em média, 0,4 g e são do tipo recalcitrantes, isto é, perdem a viabilidade se armazenadas à umidade elevada e a baixas temperaturas. Por isso, é aconselhável efetuar a semeadura logo após o beneficiamento dos frutos.


Solo:

O camucamuzeiro é encontrado vegetando espontaneamente, ao longo de cursos dágua, portanto, em solos inundados com pH neutro de boa fertilidade natural, permanecendo inundado de 3 a 9 meses por ano. Contudo, também pode ser cultivado em condições de terra firme, em solos com pH ácido de baixa fertilidade, em regiões que apresentam precipitações anuais variando de 1.700 a 3.000 mm.


Clima:

O camucamuzeiro é planta típica do clima tropical quente e úmido, onde a temperatura média oscila entre 22ºC a 28ºC, suportando temperaturas mínima e máxima em torno de 17 ºC e 35 ºC e umidade relativa (UR) de 70% a até 95%. Em populações naturais, o excessivo sombreamento se torna prejudicial, pois induz à formação de plantas fototrópicas, as quais emitem brotações inaptas à produção de frutos. Em plantações manejadas de cultivos racionais, a etapa de viveiro requer um sombreamento de cinco dias logo após a repicagem.


Componentes Energéticos e Químicos

A composição química do fruto de camucamuzeiro em 100 g de polpa, é a seguinte: As quantidades de vitamina C encontradas em 100 gramas de polpa de camucamu, em comparação a outras frutas, é a seguinte: Aspectos Agronômicos Cultivares O plantio do camucamuzeiro pode ser efetuado de duas maneiras a saber: Produção da muda clonal - Neste processo, o materia 2. Utilizando-se sementes de polinização aberta, coletadas em plantas que evidenciam, em seu habitat natural, elevada produtividade, bem como boas características agronômicas. Para produção das mudas, devem ser adotados os seguintes procedimentos: a) Em um plantio de camucamuzeiro, selecionar somente plantas bem floradas, altamente produtivas, bem desenvolvidas, e livres do ataque de pragas e de doenças; b) Por ocasião da colheita dos frutos que se destinem ao fornecimento de sementes para produção de mudas, procurar coletar os maiores, sadios e completamente maduros e; c) Nos casos em que for adquirir sementes e/ou mudas, procurar sempre observar a procedência e a qualidade que pode ser verificada através do poder germinativo das sementes e formato das mudas. Preparo da semente Após o beneficiamento dos frutos (despolpamento, lavagem e secagem), retirar as sementes e providenciar a semeadura o mais rápido possível, por se tratar de sementes tipo recalcitrante. As sementes devem ser extraídas de frutos maduros (coloração arroxeada), pois, desta forma, pode-se conseguir maior uniformidade na germinação.

Depois da retirada dos frutos, as sementes devem ser lavadas e semeadas imediatamente, uma vez que não toleram grandes perdas de umidade, sem que sua viabilidade seja afetada. Nos casos em que forem armazenadas por aproximadamente seis meses, é recomendado que depois de lavadas, sejam tratadas durante 15 minutos em solução feita com uma medida de ?água sanitária? para quatro medidas de água e, após nova lavagem, secar à sombra por 24 horas. Em seguida, as sementes devem ser tratadas com um fungicida tipo pó seco e então acondicionadas em sacos de plástico duplos, mantidos a 20 oC ou a temperatura ambiente. Semeadura: Preparar canteiros medindo 1,00 m de largura por 12,00 m de comprimento e 0,80 m de altura, com cobertura que proporcione 50% de sombra. Utilizar como substrato, uma mistura composta de terra preta e serragem fina bem curtida, numa proporção de três partes de terra preta, para uma de serragem. As sementes deverão ser semeadas em sulcos abertos no sentido longitudinal dos canteiros, afastados acerca de 10 cm um do outro, com profundidade, de 2 cm, sendo utilizadas em torno de 70 sementes por metro linear. Após a semeadura, cobrir as sementes com uma fina camada de terra. A germinação das sementes de camucamu é muito desuniforme, iniciando-se a partir do 15º dia após a semeadura, podendo ser obtido cerca de 90% da germinação, aos 50 dias após a semeadura.


A colheita

A colheita do camucamu é feita manualmente, tendo-se o máximo de cuidado para não danificar o fruto. Pomares implantados em condições de terra firme iniciam a produção, dois anos e meio após o plantio. A colheita inicia, geralmente, a partir de setembro, estendendo-se até março/abril do ano seguinte, devendo ser efetuadas duas colheitas por semana. Os frutos estão aptos a serem colhidos quando no estádio semi maduros, isto é, apresentando coloração verde com pintas arroxeadas. Nesta fase, os frutos contêm maior concentração de vitamina C, além de ser o estágio mais conveniente para o aproveitamento industrial, pelo fato destes apresentarem consistência, tornando mais fácil a embalagem e o transporte dos mesmos para longas distâncias.

Uma vez colhidos, os frutos são colocados em recipientes de madeira, para evitar perdas por esmagamento, devendo ser colocados à sombra. Frutos muito maduros e amassados tendem a se deteriorar mais rapidamente, devendo ser consumidos de imediato, nas formas de suco ou in natura. Para aumentar o período de conservação dos frutos e melhorar sua aparência, alguns cuidados devem ser tomados durante a colheita. Assim, devem ser evitado choque dos mesmos com o solo, a fim de não permitir a penetração de fungos. Portanto, todos os cuidados devem ser tomados durante a colheita para que sejam obtidos frutos com boa aparência, garantindo bons preços na comercialização. Rendimento de frutos Em pomares de camucamuzeiro implantados em condições de terra firme, no espaçamento de 3 m x 3 m (1.11 plantas/ha) podem ser obtidas produções iniciais de até de 6 kg de frutos frescos por planta/safra, que corresponde a 6,7 toneladas de frutos frescos por hectare/safra.

O Beneficiamento do Camu-camu

Os frutos depois de colhidos passam por um processo de limpeza, classificação e embalagem, objetivando, principalmente, melhorar a aparência dos mesmos para alcançar melhores preços na comercialização. Nos casos em que a comercialização for efetuada na forma de polpa, esta deverá ser processada utilizando-se tanto a casca quanto a polpa, devido o conteúdo da vitamina C presente nas duas partes ser considerável, bem como dar à polpa, uma coloração arroxeada, característica da casca do camucamu. Comercialização A produção de camucamu pode ser efetuada nas formas de frutos frescos ou polpa concentrada e congelada, dependendo das condições existentes na propriedade. Apesar de parecer uma forma de facilitar a comercialização, a venda de frutos frescos diretamente na propriedade desestimula o produtor a realizar práticas de beneficiamento necessárias à melhoria da qualidade, o que resulta na venda de produto com baixa qualidade e, em conseqüência, baixos preços. O ideal seria agregar valor à produção. Assim sendo, o produtor deverá efetuar o despolpamento dos frutos recém-colhidos, tendo o cuidado de proceder esta atividade dentro dos padrões de higiene, para que seu produto tenha qualidade. Em seguida, a polpa deverá ser embalada em embalagens de plástico, seguidas do congelamento, para posterior comercialização.

Fonte: Rajá Frutas

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